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Por uma psicanálise sempre por vir: entre lacan, derrida, irigaray e major

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    Gabriela
  • há 14 minutos
  • 12 min de leitura

René Major aponta para uma contribuição à clínica psicanalítica na escrita derridiana, especialmente através do texto O carteiro da verdade¹ — sobre a leitura que Lacan faz do texto de Poe, "A Carta Roubada". Isso significa que, embora Lacan tenha trazido importantes contribuições, seu pensamento não poderia ser totalizante — existem outras formas de ler, e é a isso que Major chama de "dar um passo a mais". No entanto, esse passo a mais não significa renunciar a Lacan ou conceber uma psicanálise sem ele; o próprio Major "de forma alguma recusa tudo o que se apresenta de pertinente"² em Lacan. Torna-se, então, mais frutífero sair de impasses binários como: com ou sem, dentro ou fora. Aliás, esse binarismo revela-se discutível enquanto dualidade de polos, pois se um é considerado positivo ("com", "dentro") e o outro negativo ("sem", "fora"), podemos ainda falar de binário ou simplesmente do Um e do seu inverso?

Numa crítica dirigida ao pensamento filosófico ocidental, e mais especificamente à psicanálise de Freud e Lacan, Luce Irigaray³ defende que o um e a sua falta não fazem dois. A autora aborda esta problemática no âmbito da relação homem/mulher, ja que Freud e Lacan, cada um a sua maneira, trabalharam com essa dinâmica na qual de um lado temos uma presença e de outro uma ausência - e a mulher, sabemos é frequentemente equiparada à essa ausência/falta. A autora pretende sublinhar então uma carência de diferença sexual, dado que o pretenso binarismo seria, na realidade, apenas o um e o seu inverso. Em outras palavras, a lógica de presença versus ausência não garante uma diferença entre dois, mas uma unidade amparada pelo seu inverso. Baseamo-nos nessa crítica para considerar aqui saídas para o falso binarismo do "com" ou "sem" Lacan, a fim de introduzir o pensamento de Derrida sem que isso implique uma simples oposição a Lacan.

Derrida propõe algo a mais, mais de uma língua, pelo menos três: disseminação. A partir daí, não se trata de escolher uma ou outra, mas de instaurar um diálogo, e sabemos que um diálogo requer pelo menos duas vozes. Assim, neste "diálogo" que propomos aqui, encontraremos pelo menos Lacan, Derrida, Major e, por que não, Luce Irigaray, para dar continuidade ao movimento do "passo a mais"? É preciso abandonar os caminhos já traçados. Será possível não permanecer fixados a uma coordenada já prevista, ou mesmo a uma ordem, algo que não fosse divisível e que já tivesse o seu lugar?


O carteiro da verdade

Segundo Major, a etimologia da palavra análise guarda, ao mesmo tempo, o indivisível e a divisibilidade: Ana como em direção ao mais originário, ao mais simples, ao elementar, ao indivisível; e Lysis, o que diz respeito ao desligamento, à solução, à dissolução, à divisibilidade. No entanto, quando Lacan tenta apresentar seus avanços sobre sua teoria do significante e do automatismo da repetição a partir de sua leitura do conto de Poe, ele chega a uma verdade indivisível, o que Derrida criticará precisamente. No início do Seminário sobre 'A Carta Roubada', Lacan anuncia:

É por isso que pensamos em ilustrar para vocês hoje a verdade que se desprende do momento do pensamento freudiano que estudamos, a saber: que é a ordem simbólica que é, para o sujeito, constituinte, demonstrando-lhes, em uma história, a determinação maior que o sujeito recebe do percurso de um significante.

e ainda:

« Mas, se insistimos primeiro sobre a materialidade do significante, essa materialidade é singular em muitos pontos, dos quais o primeiro é o de não suportar de modo algum a partição. Rasgue uma carta em pedaços, ela permanece a carta que é. »

Então Lacan, como um carteiro da verdade, quer nos restituir a verdade que ele próprio extrai do pensamento de Freud? Uma verdade que determina o sujeito e sua relação com a repetição? Ele mesmo diz: "era-nos necessário ilustrar de maneira concreta a dominância que afirmamos do significante sobre o sujeito. Se esta é uma verdade, ela jaz em toda parte, e devíamos poder, de qualquer ponto ao alcance de nossa perfuração, fazê-la jorrar como o vinho na taverna de Auerbach"⁵. Então Lacan quer realmente nos entregar uma verdade? Quase como se não fôssemos capazes de vê-la com nossos próprios olhos e dependêssemos de um Lacan? Mas existe uma verdade? E o que dizer da palavra "ilustrar" que se repete? Já não fomos suficientemente alertados sobre o risco de uma psicanálise aplicada⁶? É essa a relação que queremos entre literatura e psicanálise?⁷ Voltaremos a estas questões ao longo deste texto.

Pode a psicanálise não ser aplicada?

Quando vemos um Lacan desejoso de nos entregar a verdade da psicanálise, a questão de Major sobre uma psicanálise do nome próprio ganha ainda mais relevo. Afinal, qual é a possibilidade de pensar uma psicanálise sem a assinatura de Jacques Lacan ou, ainda, sem “a verdade” de Freud (segundo Jacques Lacan)? Nas palavras de Major: "A psicanálise, a ciência do nome próprio (Freud, Lacan), e os seus conceitos podem dissociar-se do nome próprio e existir independentemente deles?"⁸. Queremos acreditar que sim, especialmente quando, como já dissemos, não se trata de estar com ou sem Lacan, mas de abordar a psicanálise a partir da radicalidade que encontramos no inconsciente — uma proposta impossível de ser resumida a um único autor. E é precisamente isso que vemos nos avanços de Derrida, quando ele põe em questão inúmeros fatores que ordenam tanto o discurso psicanalítico quanto o discurso filosófico: o fonocentrismo, o logocentrismo, o falocentrismo, a "palavra plena" como verdade, o transcendentalismo do significante, o retorno circular da carta ao lugar próprio onde ela falta, a exclusão neutralizante do narrador da cena da narrativa... "Começa-se apenas a vislumbrar hoje o alcance das leituras freudianas e lacanianas de Derrida para um pensamento analítico ainda por vir"⁹.

A relação entre psicanálise e literatura pode, talvez, nos informar sobre uma orientação a seguir na prática clínica. Quando dizemos que não se trata de aplicar a psicanálise a um texto, podemos igualmente dizer que não se trata de aplicar a psicanálise a um caso clínico. A psicanálise, enquanto práxis, é um ato, e não um exercício de saber (e de poder). Derrida nota que, ao esforçar-se para utilizar o texto de Poe para "ilustrar" algo, Lacan deixa de lado o próprio estatuto do texto e o utiliza para apresentar uma lei e uma verdade. Nas palavras de Derrida:

Desde o início, reconhecemos a paisagem clássica da psicanálise aplicada. Aqui, à literatura. O texto de Poe, cujo estatuto nunca é interrogado — Lacan o nomeia simplesmente "ficção" —, encontra-se convocado como um "exemplo". Exemplo destinado a "ilustrar", em um processo didático, uma lei e uma verdade que formam o objeto próprio de um seminário.¹⁰

Esse ponto concernente ao risco de uma psicanálise aplicada nos parece particularmente pertinente, sobretudo porque Lacan afirma várias vezes ter descoberto a lei que rege o funcionamento do inconsciente, ter descoberto como funcionam as repetições e até mesmo o seu destino. A partir daí, pode ser tentador aplicar o que se apresenta quase como uma ciência, um conhecimento esclarecido, uma verdade. Mas Luce Irigaray, lembrando-nos da démarche de Freud, diz que cada análise é única e inédita (tal como cada texto literário?), mas que quando o saber psicanalítico acredita deter a verdade sobre o funcionamento do inconsciente, algo da radicalidade mesma do inconsciente se perde:

Freud e os primeiros psicanalistas não agiram inteiramente dessa forma, ao menos por um certo tempo. Cada análise era para eles a ocasião de descobrir uma nova faceta de uma prática e de uma teoria. Cada analisante era escutado(a) como alguém que trazia uma contribuição ainda inédita a estas. Mas, a partir do momento em que a ciência psicanalítica pretende ter encontrado a lei universal do funcionamento do inconsciente — não sendo cada análise mais do que uma aplicação ou demonstração prática desta —, essa “ciência”, assim acabada, não tem mais outro estatuto possível senão o de uma época do saber já cumprida.¹¹

O argumento da autora é que qualquer ordem anterior ao inconsciente é alheia ao seu funcionamento, pois é o próprio inconsciente quem traz a sua “ordem”, e não o inverso: "todo corpo vivo, todo inconsciente, toda economia psíquica traz à análise a sua ordem. Basta escutá-la. O que é impedido por uma ordem que dite a lei previamente"¹². Assim, a singularidade da psicanálise residiria precisamente no fato de pagar o preço de nunca estar acabada, de nunca ser uma ciência completa ou um saber finalizado. Um preço que implica considerar qualquer posição de mestre como extremamente frágil, inclusive a de Jacques Lacan.


O traço derridiano

A tentativa de Lacan de estabelecer uma ordem pode ser interpretada como um esforço para estabilizar o que é intrinsecamente instável? E mesmo que o seu pensamento tenha evoluído ao longo dos anos, Derrida chama a atenção para a escolha deliberada de Lacan de colocar A carta roubada no início dos Escritos: "seguindo uma ordem que, por não ser mais cronológica, talvez não se inscreva simplesmente no sistema teórico-didático. Talvez organize uma certa cena dos Escritos"¹³. Uma cena que poderia ser designada como a "doutrina do significante", ou pela "revelação de uma verdade"?

Se a preocupação de Lacan, no quadro do estruturalismo, era livrar-se do sentido, da semântica, para anunciar (ilustrar) uma lógica e uma lei, Derrida comenta que ele teria feito um mau formalismo e que teria se contentado em analisar a história de Poe ignorando sua escrita, a própria narrativa e o narrador, o que implica que o significante é analisado como significado ao tomar o objeto narrado em um conto. Assim, ao tentar escapar do semantismo, ele acaba por cair nele mesmo. Isso tem consequências clínicas, não? O risco é, talvez, considerar a letra como algo que tem seu lugar e seu sentido próprios. Na leitura de "A Carta Roubada", isso parece remeter a um determinismo inelutável. Quase transcendental¹⁴? Um paciente estaria, então, submetido ao destino funesto da letra¹⁵? E o analista seria como um Dupin, capaz de encontrar a letra, sendo que ele mesmo está igualmente submetido a ela e ao seu destino?

Ao garantir que a carta tem um destino e uma condição de origem, Lacan criaria, na perspectiva de Derrida, um sistema pré-estabelecido e o fecharia, em vez de permitir a abertura radical que a psicanálise deveria apoiar. No plano clínico, a contribuição de Derrida consiste em desestabilizar essa garantia, pois se a carta pode sempre não chegar, o analista perde a sua posição de mestre da verdade e a clínica se abre ao acontecimento. Essa tensão entre o sistema fechado e a abertura ao acontecimento encontra um eco paradoxal na própria evolução do pensamento lacaniano. Para reagir à desconstrução derridiana, Lacan acabou por questionar as suas próprias formulações anteriores, o que o levou a reposicionar-se de forma diferente alguns anos mais tarde. Talvez para manter o rigor do seu próprio sistema? É nessa perspectiva de resposta ou de defesa que se insere o seu texto de 1971. Em Lituraterre¹⁶, Lacan acusa Derrida de ter feito da letra um significante e de promover um discurso confuso ao estabelecer tal equivalência. É curioso notar, porém, que foi o próprio Lacan, em seu seminário de 1955, quem fez da letra a materialidade do significante¹⁷ e tratou esses termos de maneira quase intercambiável. Essa mudança de postura em 1971 parece, de certa forma, ser um traço¹⁸ resultante da intervenção derridiana: no momento em que inscreve uma diferença, ele tenta apagar algo anterior, de sua origem.


A falta tem o seu lugar (?)

Lacan afirma que:

Como nos é anunciado desde a primeira página, reduzida à sua mais simples expressão, a singularidade da carta que — como o título indica — é o verdadeiro sujeito do conto: pois, se ela pode sofrer um desvio, é porque tem um trajeto que lhe é próprio. Traço onde se afirma, aqui, sua incidência de significante.
É que não se pode dizer ao pé da letra que isto falta ao seu lugar (manque à sa place) senão daquilo que pode mudar de lugar, isto é, do simbólico.¹⁹

Como vimos em Derrida, ao afirmar que uma carta sempre chega ao seu destino e que ela falta ao seu lugar, Lacan acaba por inscrever a psicanálise em uma lógica metafísica e transcendental. Derrida refina a expressão "falta ao seu lugar" para "a falta tem o seu lugar", isto é, um lugar transcendental que garante que existe uma ordem e que ela não será perturbada: "a carta reencontrará sempre o seu lugar próprio, uma falta circunscrita (não empírica, decerto, mas transcendental, o que é ainda melhor e mais seguro); ela estará onde sempre esteve, onde sempre deveria ter estado, intangível e indestrutível através do desvio de um trajeto próprio e propriamente circular"²⁰.

A garantia de que a carta retornará ao seu destino repousa sobre uma concepção muito específica de um suporte material que funciona segundo um percurso circular (dividido em três cenas e três personagens por Lacan — quase uma circularidade edipiana?). Para que esse percurso se complete sem falhas, a carta deve ser isolada como uma unidade que resiste a qualquer contingência ou acidente de percurso. É essa necessidade de preservação que Derrida denuncia ao ligar a verdade lacaniana a uma geografia do fixo, na qual essa circularidade da verdade está ligada a uma teoria da letra como lugar indivisível. Nessa perspectiva crítica, o significante em Lacan é protegido de qualquer risco de se perder, de se fragmentar ou de se destruir de maneira irreparável, pois o próprio sistema garante que ele retorne sempre ao seu lugar de origem. A interpretação terminaria, assim, como um destino certo?

Diante desse circuito de certeza, a disseminação derridiana rompe qualquer percurso fechado do significado, produzindo uma cadeia infinitamente aberta de equivalências. Enquanto Lacan parece buscar garantir um lugar fixo, a disseminação ameaça toda estabilidade: nenhum elemento possui significação, trajetória ou lugar próprio, e nenhuma instância, seja ela deus, o falo ou uma significação transcendental, é ordenadora de uma ordem. Na perspectiva de Derrida, o elemento pode, a qualquer momento, desprender-se da "verdade" para ser varrido pela metáfora, rompendo assim o horizonte semântico pré-estabelecido; isto é, a disseminação suspende toda referência absoluta²¹. Assim, o lugar da falta deixa de ser estável. Essa desestabilização do sentido provocada pela desconstrução repercute diretamente na prática clínica, deslocando o centro de gravidade da interpretação: se não há uma verdade última a ser reencontrada no horizonte simbólico, o ato interpretativo deixa de ser um veredito para se tornar uma abertura à diferença (différance). Nesse sentido, "as interpretações não têm como objetivo principal a "verdade", mas antes provocar uma mudança na situação psíquica"²².

Se a interpretação não visa revelar uma verdade estática, mas abrir uma diferença para o sujeito, ela exige que o analista renuncie à segurança de um saber pré-formado, mesmo de um saber psicanalítico pré-estabelecido enquanto lei. Pois, quando a psicanálise se cristaliza em um sistema rígido, ela corre o risco de se tornar uma estrutura normativa que sufoca a singularidade do discurso do analisante, afinal não são apenas os outros campos capazes de produzir um mutismo do sujeito. Nesse sentido, a tentativa de codificar a experiência analítica em regras fixas para aplica-las em seguida acaba por desvirtuar sua própria essência ética. Finalizamos então com a aposta na advertência de Luce Irigaray:

Não pode haver dicionário nem gramática da psicanálise como tal, sob pena de adaptar os(as) analisantes a uma outra língua que não aquela que eles ou elas falam. A interpretação, e simplesmente a escuta, resume-se então a um ato de maestria do analista sobre o(a) analisante, a um instrumento a serviço de um mestre e de sua verdade. O próprio psicanalista já está ali escravizado; ele produz essa escravidão.


Referências:

  1.  Derrida, J. (1980). in : La carte postale: De Socrate à Freud et au-delà. Flammarion, 1999.

  2. Major, R. « Depuis Lacan, une autre conception de la « cure », in Archivologie, tome I, Furor, Genève 2024, p 101-102.

  3. Irigaray, L. (1977). Ce sexe qui n'en est pas un. Éditions de Minuit.

  4. Lacan, J. (1956). Le séminaire sur « La lettre volée ». Staferla, p. 10 et 15.

  5. Ibid, p. 9.

  6. Pierre Bayard nos lembra que «o gesto hermenêutico tradicional da psicanálise aplicada corre, portanto, o risco de fechar o que a literatura, com os meios que lhe são próprios, é capaz de oferecer de original. Ele corre o risco, pelo próprio tipo de legibilidade que propõe, de interditar a escuta do saber próprio à obra e de moldá-lo em um saber exterior, tanto mais ameaçador por ser de uma grande coerência e por sua capacidade de dar conta dos fatos não precisar mais ser demonstrada» em: Bayard, P. (1999). Ler Freud com Proust. Revue française de psychanalyse, nº 63(2), 393-406. https://doi.org/10.3917/rfp.g1999.63n2.0393

  7. Nas palavras de Derrida: «O que acontece — e a partir de quê? — quando um texto, por exemplo uma ficção dita literária — mas será ainda um exemplo? —, coloca a verdade em cena? Quando ele delimita a leitura analítica, atribui sua posição ao analista, mostra-o buscando a verdade, até mesmo encontrando-a, sustentando um discurso sobre a verdade do texto e, em seguida, proferindo em geral o discurso da verdade, a verdade da verdade? O que acontece, então, com um texto capaz de tal cena? E forte, em seu programa, por situar a faina analítica às voltas com a verdade?» (Derrida, J. (1980). O Cartão-Postal: De Sócrates a Freud e além. Flammarion, 1999, p. 442.)

  8. Major, R. (2001). Lacan avec Derrida. Flammarion, p. II.

  9. Ibid.

  10. Derrida, J. (1980). La carte postale: De Socrate à Freud et au-delà. Flammarion, 1999, p. 454.

  11. Irigaray, L. (1985). Misère de la psychanalyse : De quelques considérations trop actuelles (1977) in Parler n'est jamais neutre. Les Éditions de Minuit, p. 257.

  12. Ibid, p. 258.

  13. Derrida, J. (1980). La carte postale: De Socrate à Freud et au-delà. Flammarion, 1999, p. 446.

  14. «Pois o significante-letra, na topologia e na semântica psicanalítica-transcendental com que nos deparamos, tem um lugar e um sentido próprios que constituem a condição, a origem e o destino de toda a circulação, assim como de toda a lógica do significante. » (Derrida, J. (1980). La carte postale: De Socrate à Freud et au-delà. Flammarion, 1999, p. 465.)

  15. « ...un destin si funeste, S’il n’est digne d’Atrée, est digne de Thyeste. » (Lacan, J. (1956). Le séminaire sur « La lettre volée ». Staferla, p. 22).

  16. "O que inscrevi com letras, "formações do inconsciente"... para recuperá-las do que Freud formula, para serem o que são, efeitos do significante... não autoriza a fazer da letra um significante, nem a afetá-la, além disso, com uma primazia em relação ao significante. Um discurso tão confuso só poderia surgir daquele que me importa [Derrida]." (Lacan, J. (1971). Lituraterre. Staferla, p. 6).

  17. "Mas se insistimos inicialmente na materialidade do significante, essa materialidade é singular em muitos aspetos, sendo o primeiro deles o facto de não suportar a divisão. Corte uma letra em pequenos pedaços, ela continua a ser a letra que é." (Lacan, J. (1956). O seminário sobre «A carta roubada». Staferla, p. 15).

  18. Traço é um conceito rico em Derrida. Major lembra-nos que o anagrama de trace (traço) é écart (desvio) e que, portanto, o traço implica o desvio, o atraso (Depuis Lacan, une autre conception de la cure in Archivologie, tomo I, Furor).

  19. Lacan, J. (1956). Le séminaire sur « La lettre volée ». Staferla, p. 18 et 16

  20. Derrida, J. (1980). La carte postale: De Socrate à Freud et au-delà. Flammarion, 1999, p. 453

  21. Idixa. (s.d.). Dissémination (Derrida). https://www.idixa.net/Pixa/pagixa-0701301303.html

  22. Whitford, M. (1991). Luce Irigaray: Philosophy in the feminine. Routledge, p. 36.

 
 
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